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Tuesday, October 14, 2008


A PREVENÇÃO COMEÇA EM CASA!!

Pessoas, nos mais diferentes lugares, em cidades consideradas pacatas, em famílias ditas ´equilibradas´, são surpreendidas pela violência promovida pelas drogas. Adolescentes e jovens, na ilusão do prazer, com a vontade de descobrir e de sentir ´novas sensações´, são facilmente tragados por substâncias que têm a capacidade de transformá-los em verdadeiros escravos e ainda levá-los a praticar atos violentos, dentro e fora de casa.

A Palavra de Deus nos diz "Os loucos não pararão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a maldade." Salmo 5:5.Estes loucos são os que se envolvem principalmente com drogas, e não os doentes mentais que sofrem por uma debilidade humana.

A grande oferta de drogas e a difícil missão dos órgãos repressores em coibir ações criminosas de compra e venda dessas substâncias, muito contribui para a proliferação desse mal, porém isto não é motivo para afastar-se de Deus e de seus ensinamentos.

A falta de perspectiva do jovem num mundo de concorrência infernal, valores invertidos, desinformação, desigualdade social, ausência de referenciais positivos também contribuem.
A família é a maior sofredora e a maior perdedora nessa guerra. O lar é o ambiente ideal para se promover a prevenção. Acredito que a saída está na construção de relações fortes, diálogo, troca de informações, interesse no outro, criação de oportunidades para uma maior aproximação entre as pessoas, a começar em casa. É uma luta de todos nós!

Portanto meu caríssimo jovem reflita, e, corra agora mesmo para os braços do Senhor Jesus Cristo, antes que seja tarde demais e diga uma vez por todas, "Drogas na minha vida NÃO!!!! e o SANGUE DE JESUS TEM PODER!!!."

Tuesday, July 01, 2008

Novo mapa dos ricos no mundo
A fatia dos Estados Unidos no bolo dos milionários mundiais está encolhendo.

No ano passado, a população de milionários em países do chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), considerados emergentes, aumentou quase cinco vezes mais rápido que a dos EUA. Foi a maior alteração em termos de criação de milionários desde que os dados da pesquisa começaram a ser divulgados, em 2003.

O número de milionários no Brasil, Rússia, Índia e China subiu 19% em 2007, contra 3,7% nos EUA, segundo relatório produzido pela Merrill Lynch e pela Capgemini.

Os EUA ainda dominam o cenário mundial dos muito ricos. O país conta com mais de 3 milhões de milionários, definidos através do critério de contar com um patrimônio para investimento de US$ 1 milhão ou mais. É um aumento de 100.000 ricaços em relação ao total de 2006.

Mas os países emergentes ficaram no ano passado com o grosso do crescimento no número de ricos. Brasil, China, Índia e Rússia produziram 133.000 novos milionários.

Indianos batem recorde
A população de milionários da Índia cresceu 22,7% ano passado, o ritmo mais rápido do mundo.

Brasil e China
He Guoqiang, membro do Comitê Permanente do Birô Política do Comitê Central do Partido Comunista da China fará uma visita oficial a Brasília, nesta terça-feira. O embaixador chinês, Chen Duqing é quem vai recebê-lo. He Guogiang virá acompanhado de uma delegação oficial composta por seis pessoas, entre elas, o ministro do Departamento Internacional do Comitê Central, Wang Jiarui. No roteiro da visita está a Câmara dos Deputados, onde os chineses irão expressar a relevância da parceria estratégica entre os dois países.

Oportunidades de Negócios
Ainda dentro do assunto sobre o crescimento do mercado chinês, acontece às 9h, na Fibra, o seminário Oportunidades de Negócios na China. O evento será promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e realizado pelo Secretariado Permanente do Fórum para Cooperação Econômica e Comercial da China e Países de Língua Portuguesa.

Jornal do Brasil INFORME JB
Sobre petróleo, dinheiro e armas
Leandro Mazzini

Teorias da conspiração permeiam as confabulações populares em se tratando de interesses dos Estados Unidos. Os EUA sempre monitoraram informações dos outros. Como o petróleo no Brasil. A reserva americana vai durar poucos anos. Daí a necessidade de ocupação do Iraque, grande produtor, e das boas relações com a Arábia Saudita.

Os EUA vão reativar sua IV Frota no Cone Sul. Um porta-aviões modelo Nimitz vai navegar por águas latinas, inclusive brasileiras. Carrega até 90 caças e alguns submarinos nucleares. O combate ao crescente terrorismo foi a justificativa. O Nimtiz surge junto com a descoberta do megacampo de Tupi. Há três meses, dados secretos sobre essas reservas foram roubados no Rio. A PF tratou como furto comum. Cheney tem participação na empresa que cuidava do transporte desses dados no Brasil, em parceria com a Petrobras. Acionista de petrolíferas, foi Cheney quem fez o maior lobby para a reativação da IV Frota. Até que o primeiro barril extraído de Tupi prove o contrário, tudo não passa de conspiração.

Jornal do Brasil Leme pede o fim da favelização
Associação e ONG fazem reunião com moradores e autoridades para acabar com a violência

Cansados da rotina de violência, moradores do Leme decidiram cobrar uma solução para a falta de segurança no bairro diretamente do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Ontem, em reunião com autoridades estaduais da área e também do meio ambiente, eles debateram os problemas que o bairro vem enfrentando e a sensação de insegurança que se instalou na região há mais de um ano.

– Aqui tem tiroteio dia e noite, a situação chegou a tal ponto que alguns moradores chegaram a pensar em blindar suas janelas ou até mesmo deixar o bairro – declarou o presidente da associação de moradores do Leme, Francisco Chagas. – Mas blindar as casas é resolver uma situação individual. Temos que eliminar o problema na base. Por isso esta reunião.

Em carta enviada ao governador Sérgio Cabral, no início de junho, o movimento sócio-ambiental independente dos moradores do bairro, o SOS Leme, mostrou a preocupação com as invasões nas áreas florestais e terrenos privados, já que a infraestrutura do bairro não comporta a ocupação desordenada do solo e o crescimento descontrolado de sua população. Ainda na carta, o grupo afirma que o poder público não pode mais se manter calado diante destes fatos ligados à Segurança e Meio Ambiente.

– O Leme é um bairro pequeno e nós queremos saber quais as propostas do governo para resolver o nosso problema – destacou o coordenador do Movimento SOS Leme, Sebastian Archer. – Queremos relatar nesta reunião o que vem ocorrendo no bairro em função de uma guerra. Mas não queremos falar só de segurança, por isso contaremos, também, com a presença de representantes da Secretaria Estadualç do Meio Ambiente e Assistência Social.

Sitiados pela guerra
Nos últimos quatro meses, os moradores do Leme vêm se sentindo sitiados pela guerra entre quadrilhas de traficantes rivais nos morros do bairro. Freqüentes, os tiroteios pela disputa do controle dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira não apenas assustam como vêm tirando os moradores das ruas, principalmente à noite.

A disputa nos morros teve início em abril quando traficantes de uma quadrilha, ligada à favela da Rocinha, em São Conrado, invadiram e expulsaram o grupo rival, que dominava as duas comunidades no Leme. Desde então, os confrontos têm sido constante. No pior deles, em pleno feriado de Corpus Christi, a guerra chegou ao asfalto. À noite, depois de uma invasão pela mata, até um espetáculo no Teatro Villa-Lobos, na Avenida Princesa Isabel, teve que ser cancelado.

Saturday, June 14, 2008

Campos podem render até R$ 30 bilhões
O petróleo da grande reserva do pré-sal ainda nem começou a ser extraído e a disputa pela arrecadação de taxas que a nova província petrolífera vai representar é cada vez maior. Já existem projetos de criação de, pelo menos, cinco fundos com recursos desses campos. As apostas são de uma gorda arrecadação, que pode superar os US$ 10 bilhões anuais, calculados a partir das projeções mais otimistas para o campo de Tupi, com produção de 1 milhão de barris por dia. Outros cálculos sugerem que a receita anual com royalties chegará a R$ 30 bilhões. Somente na primeira fase do projeto, que prevê a produção de 500 mil barris de petróleo por dia entre 2015 e 2020, a arrecadação poderia chegar a US$ 5 bilhões ao ano, mantidas as regras atuais, diz o consultor Rafael Schetchman, ex-superintendente da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A conta foi feita com a cotação do petróleo a US$ 100 o barril e não considera o aumento na alíquota da participação especial sobre campos de alta rentabilidade, em estudo pela ANP. Só no governo federal o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Marinha, e os ministérios da Fazenda, da Ciência e Tecnologia e de Minas e Energia já fazem planos com os recursos. Esses órgãos são contemplados hoje com recursos, mas têm propostas de elevar a participação. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defende um fundo para a Marinha garantir segurança às plataformas de produção instaladas na região do pré-sal, a mais de 300 quilômetros da costa. Há ainda uma proposta deixada em aberto pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, para criação de um fundo de combate ao aquecimento mundial com recursos do petróleo. “Dado o tamanho potencial dessa reserva de petróleo na camada sedimentar do pré-sal, devemos refletir sobre como usar esses recursos e não olhar apenas para a geração presente”, afirmou recentemente o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, defendendo a criação de um fundo nos moldes dos chamados fundos soberanos, criados por países que têm no petróleo uma grande fonte de riqueza, como algumas nações árabes e a Noruega. A briga estadual, até aqui, vem sendo disputada no Senado Federal, onde o paulista Aloísio Mercadante (PT-SP) abriu um debate para a redistribuição das riquezas geradas pelo óleo — especialmente concentradas no Rio de Janeiro. Mesmo representantes de estados muito distantes do oceano, e portanto igualmente afastados dos royalties dos campos em alto mar, exigem um modelo que divida entre todos a receita gerada com o óleo. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), retrucou. “Sugiro a esses políticos abraçarem bandeiras mais fortes, que toquem no coração do povo de seus estados”. A euforia petrolífera também transforma o Brasil em potência. Ao comentar o novo anúncio de óleo no poço Guará, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, ponderou que aliado à capacidade do álcool combustível e da geração de energia por fonte renovável, o país caminha para a liderança energética. “Há fantásticas descobertas de petróleo, como as que estão sendo anunciadas pela Petrobras. Nossa indústria do etanol é extremamente avançada e o potencial hidrelétrico do país é extraordinário. Tudo isso nos capacita a avançar no setor energético ainda mais e nos tornar uma potência em 10 anos”, afirmou.
Correio Braziliense

TEMA DO DIA – FISCALIZAÇÃO
Governo perde R$ 83 bilhões
STF decide que dívidas com a Previdência só podem ser cobradas até cinco anos depois de vencidas
Marcelo Tokarski
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) vai causar um prejuízo de R$ 83 bilhões aos cofres da União. No julgamento, os ministros acompanharam o voto do relator e presidente do STF, Gilmar Mendes, e, por unanimidade, decidiram que dívidas previdenciárias só podem ser cobradas retroativamente a cinco anos, como ocorre com os demais tributos federais, e não mais aos 10 anos estipulados pela Lei 8.212, editada em 1991. De acordo com a decisão, empresas e pessoas físicas que estão sendo cobradas pelo Fisco administrativa ou judicialmente deixarão de pagar essa montanha de dinheiro, capaz de cobrir dois anos de déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os R$ 83 bilhões também representam quase 14% da dívida ativa da União, estimada hoje em R$ 600 bilhões. O STF julgou inconstitucional os artigos 45 e 46 da Lei Ordinária 8.212/91. O entendimento foi de que a dilatação do prazo para prescrição das dívidas previdenciárias só poderia ter sido feita por meio de uma lei complementar, com força para alterar a Constituição Federal. A diferença está no apoio político que um governo precisa ter no Congresso para aprovar uma mudança como essa. Na lei ordinária, é preciso maioria simples (50% mais um dos votos), enquanto na complementar é necessário o apoio de dois terços dos congressistas. Apesar da derrota, o governo tem o que comemorar. Na decisão, o Supremo evitou que a União tivesse que devolver cerca de R$ 12 bilhões recolhidos durante a vigência da lei de 1991. De acordo com o subprocurador-geral da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Fabrício Da Soller, esses R$ 12 bilhões equivalem a contribuições previdenciárias que excederam o prazo de cinco anos para prescrição, mas que foram cobradas pelo Fisco e pagas pelos devedores. “Trata-se de empresas que pagaram e não recorreram à Justiça. Nesse caso, não há devolução”, explica (leia mais no texto ao lado). Da Soller revelou que a PGFN não irá mais recorrer das ações judiciais que questionavam a cobrança retroativa a 10 anos. “Cabe agora ao Fisco ter instrumentos para ir atrás no tempo estipulado pela lei”, afirmou o subprocurador. Para Wilson César Rascovit, diretor do Instituto Nacional de Defesa do Empresário (Inademp), a decisão do STF permite às empresas um melhor planejamento tributário. “Muitas vezes, uma empresa era surpreendida por uma cobrança retroativa a 10 anos, quando ela pensava que aquela dívida não era mais passível de questionamento. Agora, todos os impostos federais prescrevem em prazos iguais”, afirma. No entanto, Rascovit reconhece que a decisão pode ser interpretada como um estímulo aos devedores. “Infelizmente, a decisão beneficia justamente a empresa que não pagou uma contribuição devida.” Prejuízos Autor de uma dissertação de mestrado sobre o tema, o consultor Décio Bruno Lopes, da Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), lamenta o resultado do julgamento. Segundo ele, a já combalida Previdência Social pagará uma conta bilionária. “Contribuição previdenciária é uma espécie tributária que deveria ter tratamento específico, pois não entra no caixa da União, e sim ajuda a bancar aposentadorias dos nossos trabalhadores”, diz. “O direito à aposentadoria é imprescritível. Então, por que na hora de o Estado cobrar o crédito perde validade após cinco anos?”, questiona. O subprocurador-geral da Fazenda Nacional faz uma ressalva em relação aos prejuízos causados à União. De acordo com Da Soller, dos R$ 83 bilhões que não poderão mais ser cobrados, apenas uma parte seria efetivamente recebida pela Receita Federal. “No ano passado, de uma dívida ativa de R$ 600 bilhões, só recuperamos R$ 10 bilhões. Infelizmente, não se consegue cobrar 100% de todo mundo que deve para a União”, admite. Segundo ele, muitas empresas decretam falência ou os proprietários falecem antes da efetiva cobrança, por exemplo. Da Soller afirma ainda que o governo não pretende enviar ao Congresso um projeto de lei complementar para tentar instituir novamente o prazo de 10 anos. “Com a unificação das receitas Federal e Previdenciária, não há mais por que se criar prazos diferentes.”
Correio Braziliense

ENTENDA O CASO
Facilidade para quem sonegou
A decisão do STF beneficia milhares de devedores do INSS. O Fisco só poderá cobrar as dívidas dos últimos cinco anos. Mesmo que não tenha recorrido à Justiça, quem for cobrado pela Receita terá reduzido o valor de sua dívida. Quem pagou mas questionou o prazo de 10 anos no Poder Judiciário terá direito a receber o dinheiro de volta, provavelmente na forma de créditos tributários. A única exigência é que a ação judicial tenha sido protocolada até o último dia 11. Só fica de fora dessa benesse aqueles que pagaram e não recorreram à Justiça. Nesse caso, a União não está obrigada a restituir o contribuinte. As empresas representam a esmagadora maioria dos contribuintes escritos na dívida ativa do INSS. Mas a medida também beneficia as pessoas físicas. Um patrão que não recolheu a contribuição previdenciária de sua empregada doméstica, por exemplo, só pagará os últimos cinco anos caso seja acionado na Justiça. Além disso, a decisão do STF foi automaticamente transformada em súmula vinculante. Todas as instâncias judiciais estão obrigadas a aplicar o entendimento do STF. Estimativas dão conta de que há no Judiciário quase 300 mil ações questionando a cobrança retroativa a 10 anos. (MT)
Correio Braziliense

MEIO AMBIENTE
China aumentou em 8% as emissões de poluentes
País asiático se consolidou em 2007 como o que mais lança gases de efeito estufa na atmosfera. Indústria do cimento é a maior culpada
Ambientalistas do mundo inteiro estão preocupados com a quantidade crescente de substâncias poluidoras, como o dióxido de carbono, que são jogadas na atmosfera. Nessa luta para conter o fenômeno do aquecimento global, a China se consolida como uma das grandes vilãs, ao lado dos Estados Unidos. O país asiático aumentou em 8%, no ano passado, as emissões de gases que causam o efeito estufa, em relação a 2006. A estimativa é da Agência de Avaliação Ambiental de Holanda, a mesma que anunciou em 2007 o fato de a China ter ultrapassado os EUA como maior poluidora do planeta. O crescimento econômico chinês é um dos fatores que mais influenciaram o resultado. Segundo os pesquisadores, as emissões do país devem aumentar ainda mais por causa do número elevado de indústrias e fontes de energia. “O resultado é a expressão de uma produção industrial e do desenvolvimento rápido deles”, declarou Jos G.J. Olivier, um dos cientistas que lideraram o estudo pago pelo governo holandês. China, Estados Unidos, União Européia, Rússia e Índia são responsáveis por 71% das emissões de dióxido de carbono (CO2) no planeta. Com dois terços da energia proveniente do carvão e reunindo 44% da fabricação de cimento do mundo, a China produziu 6,23 bilhões de toneladas métricas de dióxido de carbono em 2006. Os Estados Unidos, que conseguem metade de sua eletricidade pelo carvão, produziram 5,8 bilhões de toneladas métricas de CO2. Para Yang Ailun, do Greenpeace da China, o país precisa trabalhar mais para proteger o meio ambiente. “Devido à urgência das mudanças climáticas, a China tem a responsabilidade de tomar ações imediatas para reformular sua estrutura energética e diminuir as emissões”, afirmou em um comunicado. Resposta de Pequim Os números da pesquisa foram baseados na queima de combustível fóssil e na produção de cimento. A assessoria de imprensa da Agência Chinesa de Proteção do Meio Ambiente informou ao jornal norte-americano USA Today que o estudo é “irresponsável” e considerou “impossível a China ser o maior produtor de dióxido de carbono”. A agência anunciou ainda que o governo coletará provas para desmentir o levantamento. O alerta holandês surge em momento propício. Começaram neste ano as negociações internacionais para a formulação de um novo tratado climático que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. O novo acordo será definido em uma reunião em Copenhague (Dinamarca), em 2009. Os americanos se recusaram a ratificar Kyoto, em parte, porque o texto não impõe metas à China e outros países emergentes, como a Índia. Segundo o jornal britânico The Guardian, um dos focos da negociação tem sido chegar a um acordo que inclua os desenvolvidos e os emergentes, inclusive o Brasil. Na pesquisa holandesa, se forem levadas em conta as emissões per capita, o resultado é bem distinto. Um americano emite 19,4 toneladas métricas de carbono na atmosfera, enquanto um cidadão chinês libera 5,1 toneladas métricas. A diferença é clara: os Estados Unidos têm mais de 300 milhões de habitantes, e a China, 1,3 bilhão. O estudo não analisou a situação no Brasil. O RANKING DA POLUIÇÃO Emissão por país (% do total) China — 24% Estados Unidos — 21% União Européia — 12% Índia — 8% Rússia — 6% Toneladas métricas per capita Estados Unidos — 19,4 Rússia — 11,8 União Européia — 8,6 China — 5,1 Índia — 1,8
Folha de São Paulo

Descobertas acirram disputas por royalties
Novos poços abrem polêmica sobre uma eventual mudança de regras de repartição entre Estados, municípios e União
PEDRO SOARES
De janeiro a março deste ano, total pago chegou a R$ 4,5 bi; a ANP delimita os campos de petróleo, e o IBGE define a região a que pertencemAs megadescobertas de petróleo sob a camada de sal da bacia de Santos já causam polêmica sobre uma eventual mudança de regras de repartição de royalties entre Estados, municípios e União e a necessidade de aumentá-los em razão do menor risco exploratório na nova fronteira.Atualmente, a regra geral de distribuição dos royalties do petróleo prevê faixas de recolhimento a partir de 5% do valor da produção, corrigido em razão do preço do petróleo e do câmbio. Em média, o recolhimento oscila de 8% a 10%, de acordo com cada bacia. Há ainda a participação especial, imposta a campos de alta produtividade e limitada a 40%.De janeiro a março deste ano, o total pago foi de R$ 4,5 bilhões. Definidos na Lei do Petróleo de 1998 e regulamentados por decreto presidencial, os royalties têm a seguinte repartição: 25% para Estados, 26% para municípios, 9% para cidades com instalações de petróleo (duto, refinarias etc.), 13% para o Ministério da Ciência e Tecnologia e 18% para a Marinha.A ANP (Agência Nacional do Petróleo) delimita os campos, e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) define o mar territorial -ou seja, onde se situa cada campo.A única concordância é que a participação especial deve aumentar por causa da maior rentabilidade dos reservatórios do pré-sal. É a posição da Petrobras, agentes privados, governo e políticos. Entre Estados e municípios, a discórdia reside na repartição dos royalties. Pelo critério atual, São Paulo, por exemplo, não estaria na área principal de produção dos campos do pré-sal e receberia bem menos royalties que o Rio."Há um grave desequilíbrio. Os Estados com o litoral côncavo têm uma vantagem imensa [o caso do Rio]. Já os convexos [São Paulo e Paraná, por exemplo] não têm espaço nenhum", diz o senador paulista Aloizio Mercadante (PT).Ele defende a mudança de critério. "O próprio IBGE quer mudar o conceito de linhas oblíquas e introduzir o de linhas radiais." Os royalties são calculados a partir da projeção das linhas territoriais em direção ao mar. A mudança proposta pelo senador beneficiaria Estados como São Paulo.Para definir os limites de cada Estado na área marítima do país, o IBGE combina um sistema de perpendiculares e paralelas. As perpendiculares são projetadas e marcadas, segundo Mercadante, pelos acidentes geográficos da costa.Segundo o senador, o próprio IBGE sugere que se use o ponto de referência a partir da projeção de uma perpendicular para calcular a divisa territorial no mar com a Guiana. A partir desse ponto de referência, seriam projetadas as divisões de todos os Estados e municípios.Atualmente, 86% dos royalties destinados a Estados ficam com o Rio de Janeiro. E a arrecadação não é nada desprezível: R$ 4,5 bilhões de janeiro a março deste ano entre royalties e participações especiais para Estados, municípios e União.Para Ivan Simões, do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), é possível aumentar os royalties e fazer nova repartição entre os entes federados sem alterar a Lei do Petróleo."O marco regulatório atual tem todos os mecanismos que podem contemplar o novo paradigma do pré-sal. A lei é robusta e flexível. Pode ser adaptada por meio de mudança no decreto presidencial que instituiu as participações governamentais [royalties]", afirma Simões.

Sunday, May 04, 2008

ACIDENTE NO LAGO
Passageira de barco está em estado grave
Raphael Veleda - Especial para o Correio

Serão retomadas amanhã as investigações para apurar as causas do acidente náutico que matou o capitão do Exército Luiz Antônio de Mattos Lima, 38 anos, na última quinta-feira. Os depoimentos do piloto e do tripulante da lancha Old Saylor, que se chocou com o barco de pesca Tira-Onda, onde estava o oficial, estão marcados para as 15h, na 5ª Delegacia de Polícia (área central de Brasília). Os policiais esperam esclarecer até o fim da semana as circunstâncias da colisão que ocorreu no lago Paranoá, próximo ao Palácio da Alvorada. Leizelane Aparecida Tenório, 30, noiva de Lima que também estava no barco, continuava internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, até a noite de ontem.

A dúvida principal dos investigadores diz respeito às condições de visibilidade, pois os envolvidos divergem sobre o horário da ocorrência. Piloto da lancha, o técnico em telecomunicações Carlos Eduardo Almeida, 31 anos, afirma estar tranqüilo para o depoimento. Ele vai repetir que não viu a pequena embarcação. “Já estava escuro e o barco não tinha luz de sinalização”, garante. “O momento em que o Rafael (o analista de sistemas Rafael Vinícius Pereira, 30), que estava comigo na lancha, ligou para o socorro, às 18h40, já reflete isso. O acidente tinha acabado de acontecer e eu estava na água, resgatando as vítimas”, completa.

Para Almeida, a polícia precisa ouvir o piloto de um barco a vela que ajudou no resgate. “Ele viu o acidente e pode relatar que não havia visibilidade”, atesta. A suposta testemunha, no entanto, ainda não foi identificada. Carlos Eduardo diz que saiu da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça (Assejus), no final da tarde, na companhia do amigo e seguiu pela margem do lago por estar com pouca gasolina na lancha. O destino era a Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apcef), mas a tragédia encurtou o percurso.

Em depoimento na última quinta-feira, o piloto do barco de pesca, Carlos Eduardo Ottolini de Oliveira, 54, disse que havia luz do sol na hora do acidente. Ele teria saído do Clube do Exército às 15h30 para passear com o amigo Luiz Antônio e a noiva do capitão, a assistente social Leizelane. O grupo parou para fazer fotos na altura do Palácio da Alvorada, quando foi atingido pela lancha. Os três caíram no lago. Almeida ajudou no resgate das vítimas, mas o corpo de Luiz Antônio só foi encontrado na madrugada de sexta-feira. Ele foi enterrado na manhã de ontem, em Goiânia. Leizelane apresentou ligeira melhora segundo os médicos, mas continuava sedada e respirando com a ajuda de aparelhos, até o fechamento desta edição.


Folha de São Paulo Acusação dos EUA à Síria provoca medo no mundo árabe
Alegação de que Coréia do Norte ajudou a construir reator alimenta o temor de ataque a alvos sírios ou iranianos
ROULA KHALAF - DO "FINANCIAL TIMES"

A tempestade política em Washington em torno da suposta ajuda norte-coreana a um reator nuclear no leste da Síria pode ser bem recebida por Estados árabes favoráveis a uma pressão internacional mais intensa sobre Damasco.

Mas o público árabe recebeu as declarações com ceticismo.

Após o fiasco da inteligência americana no Iraque, poucas pessoas na região acreditam no que dizem os EUA, especialmente quando o que é dito guarda qualquer relação com Israel. E, embora as alegações feitas há 12 dias possam ser dirigidas à Coréia do Norte, ela alimenta especulações sobre um possível ataque americano ou israelense contra alvos ligados à Síria ou ao Irã.

Possivelmente para calar tais teorias, altos representantes sírios disseram esta semana que Israel está buscando uma paz com Damasco, apesar de ter bombardeado o suposto sítio nuclear em setembro passado.

Há 13 dias, o presidente Bashar al Assad disse que a mediação turca resultou numa oferta israelense de retirada das Colinas de Golã, ocupadas na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

"O que está sendo dito sobre a Coréia do Norte e a Síria é totalmente absurdo", disse Mohamed al Sayed Said, editor do jornal egípcio "Al Badeel".

"Eles [os EUA] querem conquistar a opinião pública e avisar sobre um possível ataque ao Irã, ao Hizbollah e possivelmente à Síria."

Quando Israel bombardeou o sítio no ano passado, nenhum protesto foi ouvido por parte dos maiores países árabes, fato que sugere que eles tenham reagido com alívio. As relações da Síria com a Arábia Saudita e o Egito vêm se deteriorando devido à ingerência presumida de Damasco no Líbano e ao alinhamento de sua política com o Irã, rival desses dois países.

Arsenal israelense

Reservadamente, autoridades árabes fizeram pouco caso da alegação síria de que o sítio era uma antiga instalação militar. Mas comentaristas árabes protestaram, vendo o bombardeio como mais uma instância de Israel agindo em desrespeito às leis internacionais. O fato de que o sítio pode ter sido um reator nuclear não chegou a ser visto como problema, dado que muitos árabes saudariam a possibilidade de um de seus Estados procurar armar-se nuclearmente, para contrabalançar o arsenal nuclear israelense (não declarado).

A falta de credibilidade dos EUA na região e a recusa da síria em permitir que a agência de fiscalização nuclear da ONU inspecione o sítio sem dúvida acrescentarão argumentos às teorias conspiratórias. Pessoas próximas ao regime sírio já desconfiam que a administração Bush não deixará o poder sem antes desferir um golpe contra a Síria, o Irã e seus aliados.

O bombardeio israelense foi motivo de constrangimento profundo para a Síria. E esta ainda não explicou o assassinato em Damasco, este ano, de um comandante do Hizbollah. O Hizbollah atribuiu o assassinato a Israel, mas, em meio a sugestões de um possível envolvimento do serviço de inteligência sírio, o governo ainda não divulgou os resultados de sua investigação.

A Síria com frequência vê as ofertas de paz vindas de Israel como insinceras, mas está levando as propostas mais recentes a sério, embora queira que as negociações comecem apenas após a posse de uma nova administração nos EUA. Até isso acontecer, sua prioridade é evitar mais ataques e constrangimentos.
Tradução de CLARA ALLAIN


Jornal do Brasil EDITORIAL
O Brasil é o líder real do continente

Há alguns meses, a conceituada revista The Economist dedicou matéria de capa a uma leitura geopolítica que incomodou profundamente os brasileiros. Na capa, estampava a provocação, quase sentença, com fotos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, e a pergunta: "Quem lidera a América Latina?". A resposta, nas páginas internas, decretava a vantagem do líder bolivariano, destacando que o Brasil perdera a frente estratégica para Chávez por excesso de timidez na hora de se contrapor às táticas agressivas do venezuelano em questões tais quais a crise do gás com a Bolívia, o uso dos petrodólares como trampolim político e a corrida armamentista no continente. Olhando o quadro hoje, sobretudo após a histórica passagem brasileira ao patamar de investimento seguro, é possível concluir, com a mesma certeza dos editores britânicos, que o Brasil continua mais líder do que nunca na América Latina.

É verdade que as reações iniciais do governo às diatribes de Evo Morales foram num tom abaixo do que se esperava. Mas tiveram a correção, por outro lado, de não expor o presidente boliviano a uma situação de fragilidade maior do que a qual enfrenta desde a posse. Hoje, o cocalero aguarda aflito a decisão das províncias mais ricas no referendo de autonomia que pode significar a fragmentação do país e dinamitar sua (legítima) autoridade. Hugo Chávez, cheio de préstimos para exportar as teses bolivarianas, não cabe na farda de bombeiro. Esse papel Morales espera que o Brasil, mais uma vez, exerça, caso a crise se agrave.

O Brasil também aplicou seu perfil de liderança na séria crise envolvendo Colômbia e Equador quando do episódio da morte do número 2 da guerrilha das Farc, Raul Reyes. A diplomacia trabalhou em silêncio na reconstrução dos canais de diálogo e deixou que outros colhessem os louros públicos de uma negociação na qual só as armas pareciam ter lógica.

As demonstrações mais recentes de pragmatismo consolidaram o troco histórico à capa provocativa da Economist, ainda que a publicação tivesse se redimido posteriormente ao comparar Brasil e Argentina à fábula da lebre e da tartaruga quanto ao comportamento diante do perfil de endividamento. Eleito para o papel de opressor imperialista na campanha presidencial do Paraguai, o Brasil mais uma vez evitou a armadilha do conflito retórico e inútil em torno do reajuste das tarifas de energia da binacional Itaipu que, se rendeu votos e manchetes nos jornais de Assunção, poderia fugir ao padrão executado até o momento. Em vez de comprar a briga, acenou-se com a possibilidade de um volume maior de investimentos em infra-estrutura elétrica no país vizinho (leia-se, por exemplo, a linha de transmissão de Itaipu a Assunção), como forma de compensação.

Com o grande rival de outrora, a Argentina, o Brasil também imprimiu sua marca em um relacionamento marcado por disputas solucionadas de forma positiva. O recente acordo de empréstimo de energia – há enorme carência no vizinho – repisa a fórmula que pavimenta a tranqüilidade pelo caminho do desenvolvimento mútuo, ainda que essa mesma cooperação enfrente soluços no âmbito comercial do Mercosul. O exercício da liderança, para o dever de casa aos editores da Economist, é sustentado por uma política econômica ortodoxa que, embora com outras cores na embalagem, é a mesma no conteúdo e na aplicação desde 1994. Se eventualmente parecia lógico naquele momento considerar que a Venezuela aparecia aos olhos do mundo como a proa atrás da qual navegavam os países latinos, faltou observar também que os fundamentos dessa vantagem eram enfunados por ventos pouco consistentes. A elevação ao grau de investimento seguro, esta semana, não reflete uma manifestação episódica da vocação continental brasileira. Apenas a consolida.


O Globo Damas indomáveis
Vinte anos após 'Top Gun', mulheres pilotam o poderoso caça F-18 e mostram que o papel da mocinha mudou
Cristina Azevedo

Na época em que "Top Gun" ("Ases Indomáveis", 1986) foi filmado, mostrando aspirantes a pilotos de caça - a elite da aviação naval americana -, a mocinha de Kelly McGillis tinha que se contentar em "voar" na garupa da moto de Tom Cruise. Duas décadas depois, elas estão no cockpit, em arriscadas missões de guerra e de paz.
Bastou um vôo para que o coração da tenente Susan "Flo" Smith fosse fisgado - ou "enganchado", como ela diz, a exemplo do que acontece com o caça no momento do pouso num porta-aviões - para sempre.
- Só decidi ser piloto depois de entrar para a Academia Naval. Parecia a melhor opção e eu não tinha idéia de como ia adorar isso. Poucas pessoas podem dizer que amam o que fazem, mas, na maioria dos dias, amo voar - conta Susan, que participou das guerras do Iraque e do Afeganistão.
Susan está a bordo do porta-aviões USS George Washington, que participa de exercícios militares junto com as marinhas de Brasil e Argentina a cem milhas da costa sul do Rio de Janeiro. Nesse imenso navio, com mais de 4 mil pessoas a bordo, apenas 50 são pilotos aptos a voar no poderoso caça F/A - 18 Super Hornet - uma máquina de combate. E destes 50, só três são mulheres.
- Adoraria dizer que não há preconceito no mundo. Mas tive que trabalhar duro para mostrar que era tão capaz quanto qualquer outra pessoa - conta a tenente Rebecca Madson, piloto de F-18 e que também participou das duas guerras. - Não há muitas pilotos na aviação de combate, mas as que conheci são pessoas impressionantes.
A vida num porta-aviões não é muito fácil. São meses longe de casa, sem ver parentes e amigos, semanas sem pisar em terra firme, além de ter que viver num espaço muito restrito. Susan compara a vida no porta-aviões a "um imenso alojamento escolar". Ela conta que as militares mulheres geralmente se reúnem para assistir a filmes não muito apreciados pelos colegas homens, conversar, ler, fazer as unhas. Essa rotina diferente acaba também por afetar os relacionamentos amorosos.
- Meu namorado entende o que eu faço porque está na mesma profissão. Mas eu diria que a maioria das mulheres na Marinha de Guerra acha difícil encontrar um homem não militar que entenda o que elas fazem. Entre todas as minhas amigas aqui, não consigo lembrar de uma que seja casada ou que esteja envolvida com um homem que não seja militar - conta Susan. - É uma profissão que exige muito da pessoa e muitos homens simplesmente não se sentem à vontade com a idéia de que a mulher que amam esteja arriscando a vida ou que viva em perigo diariamente.
Apesar das duas guerras no currículo, Susan prefere não responder sobre situações de risco que tenha vivido. Rebecca também sai pela tangente:
- Nunca enfrentei uma situação de perigo para a qual não tivesse sido treinada. E o Super Hornet é um avião extremamente confiável e seguro - desconversa.
São oito anos de vôos para Susan, enquanto Rebecca conta que "ganhou as asas" como piloto naval em 2005. Elas procuram não destacar o fato de ser mulher na profissão ou se preocupar com isso.
- Nunca tentei ser julgada como a melhor aviadora ou a melhor mulher em nada. Desejo apenas "ser a melhor" - conclui Susan.
CRISTINA AZEVEDO visitou o USS George Washington esta semana.


O Globo Ciclone mata 2 pessoas e desabriga 1.500 no Sul
Ventos de até 100 quilômetros por hora deixam 350 mil sem luz e alagam casas em Santa Catarina e Rio Grande do Sul
Adriana Baldissarelli* e Higino Barros*

FLORIANÓPOLIS e PORTO ALEGRE. A Região Sul voltou a viver momentos de pânico como os ocorridos há quatro anos com a chegada do furacão Catarina. Um ciclone extratropical atingiu ontem o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, causando chuvas e ventos fortes - entre 80 e 100 quilômetros por hora - e matando duas pessoas, além de deixar 350 mil sem energia elétrica por mais de seis horas. Mil e quinhentas pessoas ficaram desabrigadas na região metropolitana de Porto Alegre; em Santa Catarina, moradores foram aconselhados a deixar suas casas temporariamente. Dois municípios gaúchos - Santo Antônio da Patrulha e Caraá - decretaram estado de emergência.

Na região metropolitana de Porto Alegre, casas foram alagadas. Em Serafina Corrêa, o motorista de caminhão José André Pinheiro Parnechi, de 37 anos, morreu ao ser atingido por uma árvore, quando saiu do veículo para retirar um galho de eucalipto caído na rodovia RS-219. Maria Estela da Silveira, de 80 anos, morreu após sofrer um mal súbito, quando viu sua casa cercada pela água, na estrada Otaviano José Pinto, em Porto Alegre.

Moradores foram avisados a tempo para erguer móveis
Em Florianópolis, árvores derrubadas pelo vento romperam cabos de transmissão de energia elétrica, na Barra da Lagoa e no centro da cidade, e interromperam o tráfego durante a madrugada na rodovia SC-404, na subida do morro da Lagoa da Conceição. O prédio de um núcleo de educação infantil do governo do estado foi destelhado na Costeira do Pirajubaé. Sete equipes da Companhia de Energia Elétrica de Santa Catarina (Celesc) restabeleceram o fornecimento de energia elétrica na tarde de ontem.

Em Santo Amaro da Imperatriz, o Rio Cubatão transbordou e alagou uma rua. Em Laguna e Tubarão também foram registrados alagamentos, mas a Defesa Civil avisou os moradores de áreas de risco a tempo para que erguessem móveis ou deixassem durante algum tempo suas casas. A Marinha proibiu a navegação no litoral catarinense no fim de semana, já que havia previsão de ondas de até três metros na costa e de seis metros em alto-mar. Equipes da Defesa Civil ficaram de prontidão no litoral sul do estado.

De acordo com meteorologistas, o ciclone extratropical formou-se sobre Santa Catarina no fim da tarde de sexta-feira e deslocou-se rapidamente para o Rio Grande do Sul. O ciclone não tem a magnitude do furacão Catarina, que atingiu o estado em 2004, mas provocou ventos superiores a 100 quilômetros por hora na Ilha do Arvoredo e no município de Governador Celso Ramos, de acordo com a meteorologista Gilsânia Cruz.

- Felizmente o ciclone perdeu força, e a situação está sob controle. Não há desabrigados nem registro de feridos em Santa Catarina- informou o operador do Conselho de Defesa Civil (Codec) Ailton Lopes.


O Globo Avião com seis pessoas desaparece na Bahia
Bimotor, com dois brasileiros e quatro empresários ingleses, foi visto pela última vez na região de Itacaré
Ana Cristina Oliveira*

SALVADOR. Um bimotor que transportava seis pessoas - dois brasileiros e quatro empresários ingleses - está desaparecido desde a tarde de sexta-feira, no litoral baiano. A aeronave - um Cessna 310, prefixo PT-JGX, da empresa de táxi aéreo Aero Star - saiu de Salvador em direção à cidade de Ilhéus, no sul da Bahia (a 465 quilômetros da capital baiana), e desapareceu entre os municípios de Itacaré e Uruçuca.

A aeronave era pilotada por Clóvis Redault de Figueiredo e Silva. O co-piloto era Leandro Veloso e os quatro passageiros, os ingleses Rick Every, Michael Hogess, Allan Campson e Shaw Lak Woodhl. Segundo informações da gerente comercial da Aero Star, Hellen Duarte, os estrangeiros trabalhavam no ramo imobiliário-hoteleiro.

Uma equipe de resgate foi acionada e passou a vasculhar a região entre Itacaré e Uruçuca desde a manhã de ontem. O último contato da aeronave com a torre de comando do Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, ocorreu às 17h50m de sexta-feira, quando o bimotor sobrevoava Serra Grande, em Uruçuca.

O técnico Márcio Rodrigo Coutinho Neves foi a última pessoa a ver o avião antes de ele desaparecer. O técnico instalava equipamentos de internet na área rural de Serra Grande, em Uruçuca. Ele afirmou que viu o clarão dos faróis do bimotor, quando a aeronave sobrevoava um morro perto da Fazenda Bambu, em Serra Grande.

As buscas - que estão sendo realizadas pela Aeronáutica, em conjunto com a Polícia Militar e outros órgãos de segurança, entre as regiões de Serra Grande e Itacaré, numa área de 40 quilômetros - foram suspensas ontem à noite e serão retomadas hoje.

- As buscas continuam desde ontem (sexta), quando se soube do desaparecimento. A Polícia Militar está fazendo busca; o salvamento aéreo também. Até agora, não se tem certeza do local. Apenas algumas pessoas disseram ter visto a aeronave se chocando numa área próxima a um loteamento. O helicóptero está fazendo pouso nas comunidades vizinhas ao suposto local do acidente e colhendo informações - disse ontem o superintendente da Infraero em Ilhéus, Edilson Pereira Santos.
(*) da Agência A Tarde, com Globo Online

Friday, April 25, 2008

Correio Braziliense PADRE DESAPARECIDO
Buscas são encerradas

A Marinha e a Aeronáutica encerraram ontem as buscas pelo padre Aderli de Carli, que desapareceu no domingo quando voava auxiliado por mil balões enchidos a gás hélio. O prazo normalmente seguido de 72 horas foi encerrado às 21 horas de quarta-feira, mas a Marinha manteve as buscas com navios e com o helicóptero até o fim da manhã desta quinta. Nenhum sinal do padre foi encontrado nas últimas horas. O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) já encerrara as buscas na noite de quarta-feira. De acordo com o comandante do grupo de radiopatrulha área da Polícia Militar de Santa Catarina, Nelson Henrique Coelho, as chances de encontrar o padre Aderli de Carli com vida são quase impossíveis.

Correio Braziliense PARAGUAI
Alencar reclama de reajuste
Para o vice de Lula, Brasil “fez tudo” na hidrelétrica de Itaipu e sua solidariedade tem limite. Presidente da Empresa de Pesquisa Energética diz que país vizinho colaborou “apenas com a água”

O vice-presidente, José Alencar, e autoridades brasileiras do setor energético alertaram o governo sobre os riscos de um reajuste exagerado na tarifa paga ao Paraguai pela energia gerada em Itaipu. Alencar disse que o Brasil tem sido “generoso” com os vizinhos da América do Sul, mas esse “espírito de solidariedade tem limite”. Já o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, foi bem mais crítico às pretensões paraguaias. Indagado sobre a validade do pleito de Assunção, ele disparou: “É importante entender que, no fundo, nesse processo todo, o Paraguai entrou apenas com a água e que metade do rio (Paraná) é do Paraguai e metade é do Brasil”.

Alencar manifestou discordância com o aumento tarifário proposto por Fernando Lugo, ex-bispo que conquistou a presidência paraguaia na eleição do último domingo. Segundo ele, o Brasil “fez tudo” na usina. “Foi o Brasil que colocou os recursos que deveriam ser colocados pelo Paraguai. Então, a empresa nasceu com a ajuda do Brasil ao Paraguai, nasceu com a ajuda tecnológica do Brasil, com o know-how do Brasil em matéria de hidrelétricas”, afirmou. “O Brasil não está fazendo isso subservientemente. Está dando todo esse apoio ao Paraguai, à Bolívia, a esses países da América do Sul tendo em vista suas condições em relação às condições deles. Há um espírito de solidariedade. Agora, isso, obviamente, tem limite”, acrescentou o vice-presidente.

Tolmasquim, que participou ontem de uma audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, argumentou que Itaipu custou US$ 12 bilhões, e o Paraguai participou apenas com US$ 50 milhões. O restante, de acordo com ele, foi financiado pelo Brasil, que teve de levantar capital emprestado nos mercados interno e externo. “O Paraguai ganhou um empreendimento que hoje vale cerca de US$ 60 bilhões. Então, metade do empreendimento equivale a algumas vezes o PIB do Paraguai, sendo que a contribuição dele para o processo foi o fato de estar na fronteira com o Brasil”, assinalou.

O Brasil utiliza hoje 95% da energia de Itaipu. Os 5% restantes ficam com o Paraguai. O Tratado de Itaipu, firmado em 1973, estabelece que cada país tem direito a metade da energia produzida. Porém, os paraguaios não utilizam grande parte de sua parcela e vendem o excedente aos brasileiros, que pagam US$ 45,31 por MW/h, dos quais pouco mais de US$ 42 vão para a amortização de dívidas. O restante fica com o governo paraguaio, em recursos que rendem pouco mais de US$ 300 milhões por ano. Lugo, que toma posse em 15 de agosto, anunciou que o “preço justo” seria o de mercado, equivalente a US$ 1,5 bilhão anuais, pelo menos.

O presidente da estatal Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, garantiu ontem que as negociações com Lugo não afetarão os acionistas minoritários da empresa. Ele citou até a possibilidade de que recursos do Tesouro Nacional sejam liberados para evitar possíveis prejuízos à Eletrobrás. “Nenhuma solução será adotada de forma a criar problema para o acionista privado, para quem investiu os seus recursos lá (na Bolsa). Se houver alguma coisa que afete a organização (Eletrobrás), teremos de resolver no nível do governo”, declarou Muniz Lopes, no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.

Entre a fé e o poder
O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, recebeu ontem o representante do Vaticano em Assunção, o núncio apostólico Orlando Antonini (E), que lhe entregou um presente do papa Bento XVI, mas evitou se pronunciar sobre o dilema imposto pela vitória do ex-bispo: a Igreja Católica se opõe aos clérigos que assumem cargos políticos. “O Vaticano tem uma posição sobre o caso de Fernando Lugo e a divulgará brevemente por meio de um comunicado”, disse o diplomata depois do encontro. O futuro presidente reconheceu que, para a Santa Sé, é “um bispo rebelde”, mas quer “continuar pertencendo a essa Igreja”.


Correio Braziliense CRISE DIPLOMÁTICA
Colômbia protesta contra o Equador

O chanceler colombiano, Fernando Araújo, antecipou ontem que seu país prepara uma nota de protesto contra o presidente do Equador, Rafael Correa, por declarações feitas na véspera sobre possível reconhecimento político das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Correa, que rompeu relações com o país vizinho em 3 de março, depois que militares colombianos bombardearam um acampamento das Farc em território equatoriano, disse ainda que o colega Álvaro Uribe é “o último a querer a paz” com a guerrilha.

“As Farc estimulam a produção de drogas na Colômbia e violam as leis equatorianas negociando cocaína por lá. Tudo que façamos para derrotar esses terroristas ajudará imensamente ao Equador”, respondeu Uribe. “Um governo democrático, como o do Equador, não pode parecer interessado em dar o status de força beligerante a um grupo terrorista — isso não podemos aceitar”, reforçou Fernand Araújo. O ministro lembrou que a crise entre os dois países foi tratada em reunião de chanceleres na Organização dos Estados Americanos (OEA), quando ambas as partes se comprometeram a evitar pronunciamentos que pudessem agravar as tensões políticas. Por isso, o protesto será encaminhado também à OEA, para caracterizar o descumprimento do acordo por parte de Quito.

Falando à emissora (estatal) de TV venezuelana VenTV, Correa se dirigiu ao comando das Farc e pediu à guerrilha colombiana que “liberte incondicionalmente todos os reféns em seu poder e acate as convenções de Genebra (sobre crimes de guerra) para que seja reconhecida como força beligerante e se torne um interlocutor válido”. O presidente equatoriano, porém, atacou o colega colombiano, cuja popularidade atingiu a marca recorde de 84% após o rompimento — em boa parte, porque o ataque ao acampamento rebelde matou o segundo homem na hierarquia das Farc, Raúl Reyes.

“O melhor negócio para o governo de Uribe é essa guerra. A última pessoa que quer a paz com as Farc é Álvaro Uribe”, provocou Correa, tido como aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez, por sua vez acusado de apoiar as Farc — a quem o Parlamento de Caracas concedeu no mês passado o status de “força beligerante”. De acordo com o direito internacional, esse reconhecimento político permite que a guerrilha colombiana mantenha escritórios e representantes públicos na Venezuela, embora seja classificada como organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Européia.

A chancelaria equatoriana respondeu às queixas alegando que teriam sido publicadas “versões distorcidas” do pronunciamento de Rafael Correa. Segundo nota, as declarações do presidente “reiteram a política do Equador de rechaçar a presença desse grupo armado irregular (as Farc) em território equatoriano e censurar as práticas atentatórias ao direito humanitário internacional, assim como o apoio ilegal ao narcotráfico”.

FARC EM RONDÔNIA
A suposta interferência das Farc em disputas agrárias no Brasil foi denunciada ontem na Câmara dos Deputados pelo secretário de Segurança de Rondônia, Cezar Pizzano. Em sessão da Comissão de Agricultura, Pizzano afirmou que a guerrilha colombiana estaria dando treinamento militar à Liga dos Camponeses Pobres (LCP), movimento de origens maoístas que teria surgido em Minas Gerais e se expandido para Rondônia e o Pará.


Folha de São Paulo Lula aprova redução de fusos horários em 3 Estados
A mudança tem 60 dias para entrar em vigor e atingirá cidades do AC, AM e PA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem, sem vetos, a lei que reduz de quatro para três o número de fusos horários usados no Brasil. A mudança, que tem prazo de 60 dias para entrar em vigor, atingirá municípios nos Estados do Acre, Amazonas e Pará e será publicada no "Diário Oficial" da União de hoje.

Dentro desse prazo, os 22 municípios do Acre ficarão com diferença de uma hora em relação a Brasília -hoje são duas horas a menos. Municípios da parte oeste do Amazonas, na divisa com o Acre, sofrerão a mesma mudança, o que igualará o fuso dos Estados do Acre e do Amazonas.

A mudança na lei também fará com que o Pará, que atualmente tem dois fusos horários, passe a ter apenas um. Os relógios da parte oeste do Estado serão adiantados em mais uma hora, fazendo com que todo o Pará fique com o mesmo horário de Brasília.

O projeto, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC), foi aprovado no Senado em 2007. Ao tramitar na Câmara, foi alvo de pressão de emissoras de televisão. O lobby foi por conta da entrada em vigor de portaria do Ministério da Justiça que determinou a exibição do horário de programas obedecendo à classificação indicativa.

Parlamentares da região Norte ainda pressionam o governo em virtude das regras da classificação indicativa.

Ela determina que certos programas não indicados para menores de 14 anos, por exemplo, não possam ser exibidos em todo o território nacional no mesmo horário, já que existem diferenças de fuso.


Folha de São Paulo Onda de 3 m invade barco e provoca pânico no Rio
Houve feridos leves; acidente foi na travessia Niterói-Rio
MALU TOLEDO

Uma onda com cerca de três metros invadiu um catamarã na baía de Guanabara, durante travessia de Niterói para o Rio, e provocou pânico nos cerca de 200 passageiros, ontem pela manhã. Ao menos 12 precisaram de atendimento médico.

A porta dianteira do barco foi arrombada pela água, que invadiu a cabine dos passageiros.

A ressaca, que desde quarta-feira castiga a orla do Rio, ontem provocou ondas grandes dentro da baía -habitualmente as águas são quase paradas.

O mar estava tão agitado que a Capitania dos Portos precisou fechar o trânsito marítimo na baía por quatro horas. A linha Charitas-Rio, atendida pelo catamarã, continuava suspensa até a conclusão desta edição.

O catamarã é um barco de pequeno porte que costuma ser usado como meio de transporte por moradores.

Os institutos de meteorologia descartam ligação entre a forte ressaca na orla carioca e os tremores de terça-feira.

O catamarã, com capacidade para 237 pessoas, saiu à 7h45 de Charitas, na zona sul de Niterói, e cerca de dez minutos depois começou a enfrentar ondas com cerca de um metro, na altura da ponta do Morcego, em Niterói. A embarcação teve de diminuir a velocidade e chegou a desligar o motor duas vezes. Uma onda de três metros atingiu a frente da embarcação e rompeu uma porta de alumínio. As pessoas que estavam sentadas na frente ficaram encharcadas e algumas tiveram ferimentos leves. O chão da embarcação ficou alagado.

O comandante do barco, Joel Moura, disse que nunca tinha enfrentado ondas tão grandes naquele trajeto.

Doze pessoas foram atendidas, entre elas duas mulheres grávidas, que foram liberadas, segundo a empresa que administra as barcas. Até a conclusão desta edição, três pessoas permaneciam em observação no hospital municipal Souza Aguiar, no centro.
A estudante Tatiana Passos Ribeiro, 20, que sempre vai para o Rio de barca, ligou para a mãe assim que viu a água invadindo o catamarã. Ela contou que ficou mais nervosa com a reação das pessoas, muitas delas idosas, que entraram em pânico, chorando e rezando.

Segundo ela, os tripulantes deixaram as pessoas ainda mais assustadas porque gritaram para elas não saírem dos lugares.
Ela ligou para a mãe, a médica Eliane Ribeiro, que pegaria a barca das 8h. Aflita, a médica "acompanhou" a filha até a estudante desembarcar no Rio.

Causas da ressaca
Uma frente fria no oceano Atlântico, na altura do Rio Grande do Sul, teria provocado a ressaca no litoral fluminense, segundo análises do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), da Marinha e do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília.

Eva Matschinske, do serviço de meteorologia da Marinha, apontou três fatores para o aumento da maré: o deslocamento da frente fria para o litoral, um vento sudoeste na mesma direção do litoral e a fase da lua -quarto crescente.
Segundo ela, a tendência é que a maré diminua a partir de hoje, porque o vento já se deslocou para o litoral norte do Rio.


Folha de São Paulo Família de padre aluga avião para buscas
Irmão afirma ter certeza que o religioso está vivo; trabalhos da Marinha prosseguem somente até hoje
DIMITRI DO VALLE

A família do padre Adelir Antônio de Carli alugou um avião bimotor para reforçar as buscas pelo religioso, desaparecido desde domingo no litoral de Santa Catarina, após levantar vôo preso a cerca de mil balões de festa com gás hélio.

A aeronave saiu ontem de Navegantes (SC) e começou a vistoriar a costa desde o litoral norte catarinense, onde o padre fez os últimos contatos por celular antes de cair no mar.

A Marinha informou que os trabalhos prosseguem somente até hoje. Haverá então uma análise do caso para verificar a possibilidade de continuidade das buscas. As primeiras 72 horas após o desaparecimento, que venceram anteontem, foram o período considerado de maior chance de localização.

Um avião da FAB se retirou ontem das operações. De acordo com o 5º Distrito Naval, comandantes das duas Forças Armadas decidiram que a estrutura da Marinha é suficiente. O avião da FAB, segundo a Marinha, fez todas as varreduras possíveis do mar a partir de tetos mais elevados.

O bimotor fretado pela família de Carli tem autonomia para incursões de até 100 milhas náuticas (185 quilômetros). "Temos certeza que ele está vivo. Por isso, alugamos o avião", disse o irmão do padre, Marcos de Carli. Ele pediu que a população não pare de rezar.

Carli levantou vôo para tentar quebrar um recorde mundial de permanência no ar e divulgar o trabalho da Pastoral Rodoviária, fundada por ele em Paranaguá (90 km de Curitiba) para apoiar caminhoneiros.

Buscas
As buscas se estenderam ontem mais ao sul do litoral catarinense e devem chegar à cidade portuária de Imbituba (104 km a sul de Florianópolis). A Marinha se baseia na direção dos ventos e das correntes marítimas. Há dois navios e um helicóptero na operação.

Outra frente de buscas está sendo feita pelo Corpo de Bombeiros em regiões de morros e de mata fechada de Penha (127 km a norte de Florianópolis).

O bispo de Paranaguá, dom João Alves dos Santos, disse que um fiel próximo ao padre teve um "sentimento" de que o religioso esteja perdido em uma área de mata na região de Penha, onde foram localizados, boiando perto da costa, os primeiros restos de balões.


Jornal do Brasil Niterói também sofre. Na Urca, barco afunda

A ressaca incomum para esta época do ano pegou de surpresa proprietários que ancoram seus barcos na Urca. Um deles chegou a adernar. O estrago só não foi maior porque, por volta das 6h, funcionários do Iate Clube do Rio de Janeiro manobraram os barcos para dentro da baía. Os que estavam mais perto do cais, chegaram a cair do berço (armação de madeira onde se assenta um barco) e três deles tiveram seus mastros quebrados.

– Não temos uma ressaca como esta há cinco anos e, pela primeira vez, ocorre em abril – observa Alberico de Arruda, superintendente do Iate Clube. – A ressaca foi tão forte que uma das lanchas chacoalhava como uma caixa de fósforo.

Um dos píeres do clube foi danificado e ontem mesmo o representante da seguradora fez uma vistoria para calcular o prejuízo.

– Temos 750 barcos aqui. Por sorte, poucos estão ancorados já que a maioria aproveitou o feriadão e viajou. Muitos estão em Angra dos Reis – contou Arruda.

Transtornos em Niterói
Os efeitos da ressaca também foram sentidos nas ruas de Niterói. Os bairros de São Francisco, Charitas e Boa Viagem, que cercam a orla da bacia hidrográfica, foram os mais afetados. Na Praia das Flechas, a areia invadiu uma faixa de rolamento, entre os bairros do Ingá e Icaraí, impedindo o trânsito de pedestres e veículos.

A Avenida Engenheiro Martins Romêo, que dá acesso ao Museu de Arte Contemporânea (MAC), no bairro de Boa Viagem, ficou interditada em direção a Icaraí, obrigando os motoristas a circularem pelo Ingá e aumentando os congestionamentos no bairro. Durante todo o dia, cerca de 30 homens da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) retiraram 12 metros cúbicos

Jornal do Brasil Dia de fúria no mar e medo em terra firme
Ressaca afunda barco, atinge catamarã e fere 20
Janaína LinharesCarolina Bellei

Em vez de banhistas, curiosos. No lugar de corpos bronzeados, apreensão. Apesar do céu azul e do sol forte, a paisagem do Rio ontem foi atípica. Mudanças climáticas provocadas por um ciclone extratropical com origem no litoral do Rio Grande do Sul provocaram uma forte ressaca, que deixou o mar com ondas de mais de cinco metros em várias partes da cidade. O fenômeno ainda pôde ser sentido na Baía de Guanabara, onde uma onda atingiu um catamarã e deixou 20 feridos e afundou um barco na Urca. Muitos se assustaram com o que viam e houve quem fizesse ligação com o tremor de terra no Oceano, que sacudiu São Paulo na terça-feira.

– Nunca vi o mar tão bravo. Pensei que íamos ser engolidos – disse a estudante Luiza Salles.

Em trechos da Zona Sul, a água e a areia invadiram o calçadão. O repórter-aéreo da Rádio JB-FM, Carlos Eduardo Cardoso, que estará nas páginas do JB sempre que preciso, deu o seu relato depois de sobrevoar o Leblon.

– Quando vi o recuo do mar e a grande faixa de areia no Leblon, lembrei logo do que aconteceu na Indonésia antes da tsunami – disse ele, relembrando o acidente que vitimou mais de 200 mil pessoas em dezembro de 2004.

No Flamengo, ondas arrastaram pedras para perto de um restaurante e, em Copacabana, um turista estrangeiro quase se afogou. Niterói também sofreu com o mar revolto. Na Praia de Icaraí as ondas alcançaram o calçadão e as casas na beira das praias das Flechas e Boa Viagem chegaram a ser invadidas pela água.

– Ventou forte durante a noite e pela manhã, vi que a água havia atingido os carros – descreveu o compositor Daniel Pereira.
Colaborou Mariana Abrahão



Jornal do Brasil COLUNA
Vitória de Jobim
Gilberto Amaral


Foi uma vitória da persistência e da persuasão, que deve ser creditada ao ministro da Defesa, Nelson Jobim (foto), o aumento do soldo dos militares, numa média percentual de 47%, variando do recorde histórico de 137,8% para os recrutas e 35,5% para os generais.

Empenhado em reequilibrar o soldo dos militares, defasado durante vários governos, o ministro Jobim teve os esforços recompensados com o decreto presidencial. A tropa, em continência, agradece.



O Dia Abalo submarino pode ter ‘sacudido’ marés
Tremor de 6,5 graus foi registrado pela UnB horas antes da megarressaca

Rio - A agitação dos mares no litoral fluminense pode ser explicada até por fenômenos sísmicos. Especialistas em tectônica dos oceanos ouvidos por O DIA afirmam que o tremor de 5,2 graus na escala Richter (que vai até 9) registrado terça-feira no litoral de São Paulo — e sentido no Rio — não tem relação com a ressaca, mas um terremoto subseqüente poderia ter movimentado os mares do Rio. “Existe uma possibilidade de um tremor de terra posterior ao de São Paulo ter provocado o fenômeno. Ele pode ter ocasionado um movimento no fundo do oceano, no sentido vertical, com deslocamento de rocha”, afirma o oceanógrafo da Uerj Vitor D’ávila.

Segundo o Observatório de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB), ontem, por volta das 4h, um terremoto foi registrado no Norte do Atlântico. “Detectamos tremor de 6,5 graus a mil quilômetros de Fernando de Noronha”, informa Daniel Caixeta, técnico da UnB.

Especialista em oceanografia geológica da UFF, o professor Alberto Figueiredo atribui a agitação marítima a ventos vindos da costa gaúcha, a 1.500 km do Rio, mas afirma que os tremores no Atlântico podem ter contribuído para o fenômeno no Rio: “É possível, sim. As ondas perdem energia, mas podem chegar a todo o oceano. Na época da tsunami (no Oceano Índico, em 2004), chegaram pequenas ondas à Baía de Guanabara”.

O especialista da Uerj observa que o fenômeno dos ventos vindos de frente fria no Sul é recorrente no Rio, mas a agitação dos mares como a de ontem é rara: “Só pode ser explicado por uma série de acontecimentos infelizes. Há décadas não ocorre. Em 30 anos aconteceu em duas ocasiões no Rio”. D’ávila afirma que os ventos formam uma espécie de “pólo difusor de ondas” que chegam “de frente para a Baía”.

Os ventos, afirma, podem explicar o fenômeno das ondas, mas não o avanço do mar no Aterro do Flamengo e o recuo na Zona Sul, visto na manhã de ontem. Figueiredo, por sua vez, tem outra explicação para o fenômeno constatado na orla. “Depois da tempestade em alto-mar, as ondas que chegaram ao litoral do Rio quebraram junto à praia e retiraram areia das partes mais profundas”.

Para a Marinha, a hipótese sismológica é descartada. “É fenômeno meteorológico. Os ventos ‘empilharam’ a água, as ondas aumentaram de tamanho e foram propagadas até a costa”, diz o tenente Leandro Machado, do Serviço Meteorológico Marinho, para quem a ressaca foi causada por ventos fortes.


O Estado de São Paulo Cerco deve atingir ONGs brasileiras
Proposta que inclui as entidades nacionais ainda está em fase inicial
Felipe Recondo, Brasília

O governo pretende estender para as organizações não-governamentais (ONGs) brasileiras que atuam na Amazônia o cerco que será feito às ONGs estrangeiras. A idéia é montar um arsenal jurídico que coíba a biopirataria, a influência sobre os índios e a ocupação irregular de terras na região.

Apesar de as ONGs estrangeiras não serem o único alvo do governo, devem ser elas as primeiras a ser afetadas por mudanças na legislação. Está mais avançada no governo a discussão sobre uma nova Lei do Estrangeiro que estabeleça como precondição para que as ONGs internacionais atuem na Amazônia uma autorização expressa do Ministério da Defesa, além da licença do Ministério da Justiça, como mostrou o Estado em sua edição de ontem.

A restrição às ONGs nacionais ainda está em estágio de diagnóstico. Somente depois de estudos do grupo de trabalho formado por integrantes do Ministério da Justiça, da Advocacia-Geral da União (AGU), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Controladoria-Geral da União (CGU) é que uma minuta de projeto será elaborada.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, avisou que, 'se necessário', pode acionar a Polícia Federal para que essa fiscalização sobre as ONGs seja feita. 'Precisamos ter normas especiais para controlar a entrada de ONGs lá, principalmente estrangeiras, mas não somente as estrangeiras, todas as que façam trabalhos vinculados a outros interesses que não os definidos em seus estatutos', disse ele, ontem. 'Queremos fortalecer e prestigiar ONGs sendo muito rigorosos com elas e dando força para as que são autênticas', acrescentou.

O projeto da nova Lei do Estrangeiro está na Casa Civil da Presidência da República e será enviado ao Congresso até junho. Preparado pela Secretaria Nacional de Justiça, o projeto prevê multas que vão de R$ 5 mil a R$ 100 mil para estrangeiros que atuarem na Amazônia sem a devida autorização.

Pelos cálculos dos militares, existem no Brasil 250 mil ONGs e, desse total, 100 mil atuam na Amazônia. Outras 29 mil engordam o caixa com recursos federais, que somente em 2007 atingiram a cifra de R$ 3 bilhões.

Na semana passada, ao escancarar o descontentamento com a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia, fez um alerta. Segundo ele, há ONGs internacionais estimulando os índios a lutar pela divisão do território nacional.

Heleno definiu a política indigenista do governo de Luiz Inácio Lula da Silva como 'lamentável, para não dizer caótica'. As declarações geraram irritação no Palácio do Planalto. O ministro Nelson Jobim, da Defesa, orientou Heleno a não falar sobre o assunto.


O Estado de São Paulo As ONGs não podem ser criminalizadas
Taciana Gouveia

Desde a sua fundação em 1991, a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais - Abong- possui um Regional na Amazônia, composto por um conjunto de ONGs nacionais que há muito trabalham na área. Estas organizações realizam inúmeros tipos de atividades e ações, sempre com um objetivo: a defesa dos direitos humanos no seu sentido amplo, ou seja, os direitos humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Estão também articuladas com muitas outras entidades, desde sindicatos rurais até comunidades eclesiais de base, presentes nos pontos mais remotos do imenso território.

Entre as milhares de pessoas direta e indiretamente envolvidas nessas iniciativas, estão os povos tradicionais da Amazônia. São ribeirinhos, quilombolas, indígenas, pequenos agricultores. Como é de conhecimento geral, são povos cujos direitos têm sido cerceados e transgredidos: têm suas terras tomadas por transnacionais, são vítimas de ameaças e assassinatos, assistem diariamente às ameaças à biodiversidade do rico e cobiçado meio ambiente da região.

As ONGs do campo Abong e entidades parceiras têm insistido nesses e em outros problemas, como a 'rapina e não plano de manejo' - ou o intenso desmatamento - que há muito ocorre na Região Amazônica e fato ressaltado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Rapina alvo de constantes denúncias também dos povos tradicionais, que poucas vezes têm sua voz escutada. Por isso, é necessário que haja um rigoroso controle social da ação desenvolvida por qualquer tipo de organização na Amazônia, seja ela pública, privada ou não-governamental. Entretanto, e mais uma vez, urge que o governo tenha parâmetros legais bem definidos, para que o controle de atividades ilegais na Região Amazônica não criminalize as organizações e os movimentos que têm lutado pelos direitos dos seus povos e realizado ações na direção de um desenvolvimento realmente sustentável e com justiça social.



O Estado de São Paulo Grande perigo é balcanizar Amazônia
General Luiz Gonzaga Lessa*

Há um grande perigo em gestação na fronteira Norte do País: a balcanização da Amazônia,, ou seja, a transformação daquela vasta região em algo semelhante ao que ocorreu no Kosovo, nos Bálcãs, com conseqüente risco à soberania brasileira. Este tema tem muito a ver com a tentativa de transformar toda aquela área, onde vive boa parte das nações indígenas brasileiras, em uma nação distinta do Brasil.

Isso tem muito a ver com a influência estrangeira sobre os índios, tema que está no fulcro do projeto apresentado pela Secretaria Nacional de Justiça. O pior é que este atentado não tem sido coibido pelo governo, que, obviamente, percebe o risco, mas tem se omitido e não de agora.

Esse perigo, sobre o qual temos alertado toda a sociedade brasileira há mais de dez anos, tem a ver com a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 13 de setembro de 2007. Essa declaração é quase o ato final de um persistente processo que, nos últimos 20 anos, tem sido levado a efeito por influentes e bem estruturadas organizações não-governamentais (ONGs).

Caso a Declaração venha a ser referendada pelo Congresso, ganhará força de emenda constitucional, conforme prevê a própria Constituição Lembro que a Lei Maior diz, no seu artigo 5.º, que tratados internacionais referentes a direitos humanos referendados pelo Congresso passam a valer como emendas constitucionais. Em tese, nada impediria que algum destes vários líderes indígenas, muito bem instruídos e preparados, declarasse a independência de sua 'nação', apartada do Brasil.

A se confirmar essa tendência, teremos retalhado o Brasil em 227 nações, com 180 diferentes idiomas. O crime contra o Brasil e sua soberania e unidade territorial terá sido perpetrado. Onde está a sociedade civil que não se manifesta?

* Comandante militar da Amazônia até 1998 e ex-presidente do Clube Militar


O Estado de São Paulo Navio com armas retorna à China
Embarcação iria para o Zimbábue, mas foi impedida de atracar

Após uma semana sem conseguir permissão para atracar em países do sul da África, um navio chinês, com armamentos encomendados pelo governo do Zimbábue, está retornando para a China. “A empresa decidiu enviar os componentes militares de volta para a China, na mesma embarcação”, disse ontem a porta-voz da chancelaria chinesa, Jiang Yu.

A embarcação chegou à costa da África da Sul há uma semana com 77 toneladas de munição, foguetes e morteiros de fabricação chinesa - carga avaliada em US$ 1,4 milhão.

Trabalhadores e líderes religiosos sul-africanos protestaram e impediram que o navio atracasse. Em seguida, o barco tentou entrar em outros países (como Moçambique e Angola), mas também não conseguiu.

O bloqueio contra o navio ganhou força nos países vizinhos do Zimbábue, que não costumam criticar abertamente o presidente Robert Mugabe. A pressão sobre o líder zimbabuano vem aumentando, pois ele se recusa a divulgar o resultado das eleições presidenciais do dia 29. A oposição afirma que seu candidato, Morgan Tsvangirai, venceu a votação.

Há fortes indícios de que as armas chinesas seriam usadas pelo governo em sua campanha para reprimir os opositores - enfraquecendo os partidários de Tsvangirai num possível segundo turno. Médicos zimbabuanos afirmam que mais de 300 opositores já foram atacados.

Ontem, os EUA fizeram seu mais duro ataque contra Mugabe desde as eleições. Em visita à África do Sul, a secretária para Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, disse que Tsvangirai obteve uma “vitória clara” contra Mugabe.

“Esse governo está rejeitando a vontade das pessoas. Se elas tivessem votado para Mugabe, já teríamos o resultado”, disse a americana.

Jendayi também defendeu a proposta do premiê britânico, Gordon Brown, de impor um embargo internacional de armas contra o Zimbábue.


O Globo PÂNICO NA BAÍA
Costa é vulnerável a ondulações de sudeste
Mudança de direção faz mar entrar com força na Baía de Guanabara sem encontrar obstáculos, explica oceanógrafo
Tulio Brandão

As ondas que quase viraram o catamarã Zeus I são esporádicas, segundo especialistas. O fenômeno ocorre quando uma ondulação forte, provocada pelos ventos de um ciclone extratropical formado no Oceano Atlântico, próximo ao Rio Grande do Sul, chega ao Rio vinda de sudeste, o que facilita sua entrada na barra da Baía de Guanabara. Esta direção de onda também expõe à força do mar outros pontos da costa carioca, como a Praia de Copacabana e da orla de algumas cidades litorâneas do estado. Alguns especialistas, porém, dizem que a ondulação registrada ontem foi mais intensa.

O oceanógrafo Leonardo Marques da Cruz, da Prooceano, explica que a direção da onda foi determinante:

- A conformação da barra da Baía de Guanabara favorece a entrada da onda vinda de sudeste sem praticamente encontrar obstáculos. Além disso, o intervalo entre as ondas era de relativamente baixo para a ondulação, de 12 a 14 segundos. Ondulações com esse período demoram mais para sofrer influência do fundo (e variar a direção). Isso fez com que a ondulação se mantivesse limpa de sudeste até a entrada da Baía.

Para o oceanógrafo Rogério Candella, a diferença para outras ressacas vindas de sudeste foi a intensidade.

- O fenômeno em si não é tão raro, mas nem sempre chega com ondas fortes. Essa direção da ondulação afeta, além da baía, todas as áreas cuja costa segue a orientação nordeste-sudoeste, como as cidades litorâneas a partir de Arraial do Cabo. Nessas áreas, as ondas entram de frente - explica.

Como as praias do Leblon e de Ipanema são posicionadas no eixo leste-oeste, ficam menos expostas às ondulações de sudeste. Nessas áreas, portanto, a ressaca não foi tão forte

Segundo o oceanógrafo Rogério Fragoso, ondulações de sudeste atingem a cidade de duas a três vezes por ano, nem sempre com força. Já as Barcas S/A afirmam que há 30 anos não são registradas ondas deste tamanho na Baía de Guanabara.

A ressaca mudou a paisagem de lugares com águas normalmente tranqüilas como a Enseada de Botafogo, a Urca e Niterói, fazendo a festa dos surfistas. Ondas de até dois metros atingiram o calçadão e a pista das praias das Flechas e Icaraí. O calçadão da Praia de Boa Viagem virou uma arquibancada, tantos eram os curiosos. As ondas em Itapuca, Niterói, atraíram surfistas até da Barra da Tijuca, como o administrador de empresas Cristiano Gomes de Almeida, de 32 anos:

- Desmarquei meus compromissos só para aproveitar essa ondulação rara. As ondas estão perfeitas.